Aceleração

Por que o ROAS cai quando você escala (e quando isso não é problema)

11 de agosto de 202612 min de leituraPor Diego Santana
Resposta direta

O ROAS cai quando você escala porque a verba adicional compra público mais frio: os primeiros reais pegam quem já ia comprar, e os últimos pegam quem nunca ouviu falar da marca. A decisão de subir ou não a verba não se toma pelo ROAS médio da conta, que mistura o barato do começo com o caro do fim, e sim pelo ROAS marginal, que é a receita adicional dividida pela verba adicional. Enquanto o marginal continuar acima do ROAS de equilíbrio que a sua margem de contribuição exige, cada degrau de verba ainda adiciona lucro, mesmo com o ROAS médio caindo. A queda vira desperdício no momento em que o marginal cruza esse piso.

Contexto

Por que o ROAS cai quando a verba sobe

Toda conta que escala passa pela mesma cena. A verba sobe, a receita sobe, e o ROAS desce. O time interpreta a queda como erro de mídia, corta orçamento para recuperar o número do mês passado, e a receita cai junto. Na maior parte dos casos a queda do ROAS não é defeito da conta, é o preço de comprar o próximo pedido.

O motivo é o mesmo em qualquer canal. Os primeiros reais de mídia compram atenção de quem já estava perto de comprar: quem buscou a marca, quem visitou a página, quem abandonou o carrinho ontem. Essa demanda é finita. Quando ela acaba, a verba seguinte só encontra público mais frio, mais longe da decisão, e cada pedido novo custa mais que o anterior. O ROAS médio da conta cai porque ele mistura o barato do começo com o caro do fim.

O problema é que a média é péssima conselheira em decisão de escala. Ela responde 'quanto rendeu tudo que eu gastei', quando a pergunta do dono é outra: 'quanto rendeu o dinheiro que eu acabei de acrescentar'. São duas contas diferentes, e só a segunda autoriza ou proíbe o próximo degrau de verba.

Este artigo mostra a aritmética da queda, quanto de queda é esperado, qual o piso que a sua margem impõe, as cinco causas que se confundem entre si e o protocolo de leitura por degrau. É a leitura de eficiência que um programa de aceleração de e-commerce instala antes de autorizar orçamento novo.

Framework nº 1

ROAS marginal: a conta que decide o próximo degrau

O ROAS que aparece no gerenciador é uma média de tudo que já foi gasto no período. Ele serve para acompanhar a conta, não para decidir o aumento. Para decidir aumento existe uma conta específica, e ela isola exatamente a parte do dinheiro que está em julgamento: o que a verba adicional trouxe de receita adicional.

Receita nova − Receita anterior÷Verba nova − Verba anterior=ROAS marginal

O ROAS médio avalia a conta inteira. O marginal avalia só o dinheiro que você acrescentou, que é o único valor sob decisão quando se pergunta se vale subir mais.

Um exemplo com números redondos. A conta gastava R$ 100 mil e faturava R$ 400 mil, ROAS 4,0. No mês seguinte a verba foi para R$ 150 mil e a receita para R$ 510 mil, ROAS 3,4. A leitura de média diz que a conta piorou 15%. A leitura marginal diz outra coisa: os R$ 50 mil adicionais trouxeram R$ 110 mil, ou seja, ROAS marginal de 2,2, quase metade do médio.

Agora inverta o caso. Mesma origem, R$ 100 mil e R$ 400 mil, mas a verba sobe para R$ 120 mil e a receita para R$ 470 mil. O ROAS médio cai de 4,0 para 3,92, uma queda que ninguém comemora em reunião. O marginal, porém, é 3,5: cada real novo devolveu R$ 3,50.

São dois meses em que 'o ROAS caiu', e apenas um deles é problema. Qual dos dois é o problema não se descobre olhando a variação da média, se descobre comparando o marginal com o piso que a margem do negócio exige. É o passo que a maioria das reuniões de mídia pula, e é por isso que a decisão sai errada com dado certo.

A régua

O piso de ROAS que a sua margem exige

Não existe ROAS bom em abstrato. Existe o ROAS abaixo do qual o pedido entra no caixa custando mais do que deixa, e esse número sai da margem de contribuição, não do mercado. Margem de contribuição é o que sobra do ticket depois de custo do produto, taxas de pagamento e frete subsidiado, antes das despesas fixas.

1÷Margem de contribuição em %=ROAS de equilíbrio

Com margem de contribuição de 40%, o piso é 2,5. Com 25%, o piso sobe para 4,0. Duas lojas com o mesmo ROAS podem estar em situações opostas, e a diferença está na estrutura de custo, não na conta de anúncio.

Com o piso na mão, os dois cenários da seção anterior deixam de ser opinião. Assumindo margem de contribuição de 40%, o piso é 2,5, e a tabela abaixo mostra o que cada leitura conclui sobre o mesmo par de meses.

LeituraCenário A: verba 100k para 150kCenário B: verba 100k para 120k
ROAS médio4,0 cai para 3,44,0 cai para 3,92
ROAS marginal2,23,5
Piso da margem (40%)2,52,5
Margem sobre a receita novaR$ 44 milR$ 28 mil
Custo da verba novaR$ 50 milR$ 20 mil
Efeito no resultadoR$ 6 mil a menosR$ 8 mil a mais

Repare no que a tabela expõe. Nos dois meses o ROAS médio caiu, e só num deles a escala destruiu resultado. Quem decide pela média corta verba no cenário B, que estava somando lucro, e tende a manter o cenário A, que estava consumindo. A média não erra por pouco, ela erra de lado.

Dois cuidados antes de usar o piso como sentença. O primeiro é usar margem real, com o frete que você subsidia e a taxa que o adquirente cobra de fato, e não uma margem de planilha antiga. O segundo é lembrar que o piso é de equilíbrio, não de lucro: operar exatamente nele significa empatar na contribuição e continuar pagando as despesas fixas do próprio bolso. Se você ainda não fez a conta de quanta verba a sua meta pede, o caminho está em quanto investir em tráfego.

Framework nº 2

A Curva dos 3 Trechos da escala

A queda do ROAS não é linear nem aleatória. Ela tem trechos, e cada trecho pede uma decisão diferente. Nomear o trecho em que o último degrau caiu vale mais do que discutir o número absoluto.

Trecho 01

Colheita

A verba pega quem já ia comprar: busca de marca, remarketing curto, base própria. O marginal fica perto do médio, e o volume é limitado pelo tamanho da demanda que já existe.

Trecho 02

Expansão

A verba passa a comprar público novo qualificado. O marginal cai e segue acima do piso. É o trecho onde o lucro absoluto cresce mais, justamente enquanto o ROAS médio desce.

Trecho 03

Desperdício

O público qualificado se esgota. Frequência sobe, alcance novo encolhe e o marginal cruza o piso. Aqui a verba compra receita e vende lucro.

Três sinais marcam a passagem do trecho 2 para o 3: o marginal cruzando o piso, a frequência subindo sem CTR novo, e o alcance incremental encolhendo a cada aumento de verba. Nenhum deles aparece no ROAS médio.

A curva também não é fixa. Ela se desloca para a direita quando entra criativo novo, público novo, praça nova ou oferta melhor, e se desloca para a esquerda quando o criativo envelhece e o público satura. Escalar bem é empurrar o começo do trecho 3 para a frente, não insistir em gastar dentro dele. É por isso que operação com fila de criativo pronta escala mais que operação com verba disponível: a segunda encontra o teto antes.

O trecho 1 também engana em outra direção. Conta pequena com ROAS altíssimo costuma estar apenas colhendo demanda existente, o que é ótimo para o caixa e péssimo como base de projeção, porque esse retorno não se repete no volume seguinte. A leitura completa dessa decomposição está no hub de tráfego para e-commerce.

Diagnóstico

As cinco causas da queda e onde cada uma se confirma

Queda de ROAS na escala tem cinco causas frequentes, e elas se confundem entre si porque produzem o mesmo sintoma no painel. A diferença aparece no lugar onde cada uma se confirma, e a natureza de cada uma define se a resposta é expandir, corrigir ou parar.

CausaSinal na contaOnde se confirmaNatureza e resposta
Saturação de públicoFrequência sobe, alcance novo cai, CPM estávelAlcance incremental por conjunto e sobreposição de públicosEsperada: expandir público, praça ou catálogo
Fadiga de criativoCTR e retenção caem com CPM parecidoCurva do anúncio por dia desde a subida de verbaCorrigível: ângulo novo, não corte novo
Sobreposição entre campanhasROAS bonito por campanha e MER da operação caindoReceita total dividida pela verba total, contra a soma dos gerenciadoresErro de estrutura: separar público e função
Mudança de mixVerba nova entrou em produto de ticket ou conversão menorReceita e conversão por produto no mesmo períodoNão é o canal, é o mix: realocar por produto
Destino que não sustenta público frioConversão cai por origem com CTR estávelConversão por página e por origem no analyticsErro de destino: página e oferta, não mídia

As duas primeiras causas fazem parte do jogo: elas acontecem em qualquer conta que cresce e se resolvem com abastecimento, de público ou de criativo. As três últimas não são escala, são erro que a escala revelou, e subir mais verba sobre elas multiplica o vazamento em vez de compensá-lo.

Uma pergunta separa mídia de destino em poucos minutos: a conversão caiu para todas as origens ou só para a mídia paga? Caiu para todas, o problema está na página, no preço, no frete ou no estoque. Caiu só na mídia paga, o público que a verba nova comprou é outro, e é a mídia que precisa de ajuste. O roteiro completo dessa separação está em meu tráfego não converte.

Vale um alerta sobre a terceira linha, que é a mais traiçoeira. Quando cada campanha mostra ROAS alto e o MER da operação cai, o que subiu foi a contagem, não a venda: duas campanhas reivindicando o mesmo pedido inflam a soma dos gerenciadores enquanto o caixa fica igual. Nesse caso o número que decide é a receita total dividida pela verba total do período, medida na plataforma de vendas.

O ritmo

O protocolo de leitura por degrau

Escala sem protocolo termina em discussão de opinião, porque ninguém registrou de onde a conta saiu. O protocolo é curto: define o piso antes, sobe um degrau por vez, mede o marginal do degrau, e decide com base nele. O tamanho do degrau e a janela de leitura ficam definidos antes de subir, nunca escolhidos depois de ver o resultado.

O ROAS marginal do último degrau ficou acima do piso da margem?
Cenário
Sim, com folga
Suba o próximo degrau

Repita o incremento, uma variável por vez, e refaça a conta no fim da janela. Folga larga costuma indicar que a conta ainda está no trecho de expansão.

Não, ficou abaixo
Volte ao degrau anterior

Devolva a verba ao patamar que estava acima do piso antes de mexer em qualquer outra coisa. Investigue a causa com a conta estabilizada, não durante a queda.

Segundo filtro
Acima, mas caindo rápido
Ataque a causa antes do próximo degrau

Criativo novo, público novo ou destino melhor. Subir verba sobre uma curva em queda só antecipa a chegada do trecho de desperdício.

Abaixo, com pouco volume
Confira a janela antes de concluir

Poucos pedidos no período fazem o marginal oscilar sozinho. Com cerca de 25 pedidos, o erro relativo esperado fica perto de 20%, e o número não decide nada.

Na prática o protocolo cabe em cinco linhas de planilha. O exemplo abaixo usa degraus de 20% sobre a verba diária, o incremento que já aparece no método de como escalar sem quebrar a margem, e piso de 2,5.

DegrauVerba por diaReceita por diaROAS marginalDecisão
BaseR$ 3.000R$ 12.000referência 4,0manter e registrar
1R$ 3.600R$ 13.8003,0acima do piso: subir
2R$ 4.300R$ 15.6002,6no limite: trocar criativo antes de subir
3R$ 5.200R$ 16.7001,2abaixo do piso: voltar ao degrau 2

O detalhe que interessa está no degrau 3: o ROAS médio da conta ainda marcava 3,2, número que passa em qualquer reunião, enquanto o último pedaço de verba rendia 1,2 e queimava margem. A média continuou aprovando o que a conta já estava reprovando. Sem o registro do degrau anterior, essa perda fica invisível por semanas.

O que precisa estar de pé antes de subir o próximo degrau

  • Piso de ROAS calculado com margem de contribuição real, não com ticket bruto
  • Janela de leitura definida antes de subir a verba
  • Volume mínimo de pedidos no período para o número significar algo
  • Uma variável por degrau: verba, público ou criativo, nunca os três juntos
  • Receita conferida na plataforma de vendas, não só no gerenciador
  • Criativo novo em produção antes de a frequência subir
  • Estoque e prazo de entrega sustentando o volume do próximo degrau
  • Registro do degrau anterior, para poder voltar sem discussão
A decisão

Quando cortar verba é a decisão errada

Cortar verba é a decisão certa em um caso: quando o marginal do último degrau ficou abaixo do piso e a causa não se resolve rápido. É a decisão errada em dois casos muito mais comuns. O primeiro é quando o corte busca restaurar um ROAS médio que só existia porque a conta era menor. O segundo é quando o corte serve para maquiar um problema que não é de mídia, como página que não converte público frio ou margem estreita demais para o canal.

A pergunta 'como faço o ROAS voltar para 4,0' quase sempre tem uma resposta honesta e indesejada: gastando menos. E gastar menos encolhe o negócio, não o corrige. A pergunta que sustenta escala é outra: até que degrau de verba o pedido novo ainda cabe na minha margem, e o que precisa mudar para o degrau seguinte caber também.

Antes de subir, vale medir o quanto a conta aguenta. A nota abaixo distribui peso entre os cinco fatores que determinam a elasticidade da operação, ou seja, quanta verba ela absorve antes de o marginal cruzar o piso.

Margem de contribuição por pedido
Quanto maior a distância entre o ROAS atual e o piso, mais verba a conta absorve antes de o degrau ficar inviável.
30%
Volume de criativo novo por mês
Sem ângulo novo entrando, a frequência sobe e o trecho de desperdício chega mais cedo, qualquer que seja o público.
25%
Amplitude de público não explorado
Praça, faixa de idade, interesse e catálogo ainda não testados são o espaço que a verba nova tem para crescer.
20%
Conversão do destino para público frio
Página que só converte quem já conhece a marca limita a escala antes de o leilão limitar.
15%
Capacidade operacional
Estoque, atendimento e prazo de entrega precisam sustentar o pedido novo, ou o ganho volta como cancelamento.
10%

A leitura é direta: abaixo de 60 pontos a conta não é candidata a degrau novo, e o trabalho da semana é abastecer criativo, abrir público ou arrumar o destino. Entre 60 e 79 a escala sobe em degraus menores, com janela mais longa. Com 80 ou mais a operação suporta o incremento cheio.

A margem leva o maior peso porque ela define o piso de tudo. Conta com margem estreita perde a folga no primeiro degrau, e nenhum criativo compensa uma estrutura de custo que não deixa espaço para comprar cliente. Criativo vem em segundo porque é o único fator que a operação consegue mudar em dias, e não em meses.

Sinais de que a queda virou desperdício, e não expansão

  • Frequência acima de 4 no público principal e nenhum criativo novo há mais de 30 dias
  • ROAS bonito em cada campanha do gerenciador e MER da operação caindo mês a mês
  • Verba subindo com número de pedidos praticamente igual, sustentado por ticket maior de cupom
  • Aumento de verba decidido por meta de fim de mês, sem janela de leitura definida
  • Ninguém na operação sabe dizer qual é o piso de ROAS que a margem exige
  • Relatório de escala que mostra receita e ROAS, e nunca margem de contribuição

Ordem que sustenta a escala, na prática: piso definido pela margem, degraus registrados, marginal medido em cada degrau, causa endereçada antes do degrau seguinte. Nada disso depende de ferramenta nova, depende de disciplina de leitura e de alguém responsável pelo número.

O ROAS caindo, no fim, é apenas o sintoma visível de uma operação que está comprando demanda mais distante. Ele deixa de ser sintoma e passa a ser problema quando ninguém mede o marginal, quando o criativo não é abastecido e quando a página não sustenta o público que a verba nova traz. A leitura de todos os outros drivers que participam dessa conta está em os 9 drivers de receita do e-commerce.

FAQ

Perguntas frequentes

Por que o ROAS cai quando eu aumento a verba?+
Porque a verba adicional compra público mais frio. Os primeiros reais de mídia alcançam quem já estava perto de comprar, como quem buscou a marca ou abandonou o carrinho, e essa demanda é finita. A partir daí cada pedido novo custa mais que o anterior, e o ROAS médio cai porque ele mistura o custo barato do começo com o custo caro do fim. A queda só indica erro quando o retorno da verba adicional fica abaixo do piso que a sua margem exige.
O que é ROAS marginal e como calcular?+
ROAS marginal é a receita adicional dividida pela verba adicional entre dois períodos ou dois degraus de verba. Se a conta ia de R$ 100 mil de verba e R$ 400 mil de receita para R$ 150 mil e R$ 510 mil, o marginal é R$ 110 mil divididos por R$ 50 mil, ou seja, 2,2. É a métrica correta para decidir aumento de orçamento, porque avalia apenas o dinheiro que entrou, e não a média de tudo que já foi gasto.
Qual ROAS é bom para e-commerce?+
O ROAS bom é o que fica acima do piso de equilíbrio da sua operação, e esse piso é 1 dividido pela margem de contribuição. Com margem de 40%, o piso é 2,5; com margem de 25%, o piso é 4,0. Comparar o próprio ROAS com o de outra loja não diz nada, porque estrutura de custo, ticket e frete subsidiado mudam o piso de cada negócio. Operar exatamente no piso significa empatar na contribuição, sem cobrir despesa fixa.
Devo cortar verba quando o ROAS cai?+
Só quando o ROAS marginal do último degrau ficou abaixo do piso da margem e a causa não se resolve em poucos dias. Se o marginal continua acima do piso, cortar verba reduz o lucro absoluto para melhorar um indicador de média, o que é uma troca ruim. Quando o corte é necessário, o movimento correto é voltar ao último degrau que estava acima do piso, e não zerar campanhas de uma vez.
Quanto tempo esperar antes de avaliar um aumento de verba?+
O tempo necessário para acumular pedidos suficientes para a leitura ser confiável, o que na prática costuma ficar entre 3 e 7 dias em contas de e-commerce com volume constante. Com cerca de 25 pedidos no período, o erro relativo esperado já fica perto de 20%, então diferenças pequenas de ROAS não significam nada. Janela curta demais transforma variação natural em decisão, e é uma das causas mais comuns de corte precipitado.

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