Tráfego

Meu tráfego não converte: o problema é a mídia ou a página?

29 de julho de 202611 min de leituraPor Diego Santana
Resposta direta

Tráfego que não converte tem três origens possíveis, e elas se separam com número, não com opinião: entrega (a mídia traz gente errada ou cara demais), destino (a página não sustenta a promessa que trouxe a pessoa) e fechamento (frete, prazo, checkout ou aprovação de pagamento derrubam a compra já decidida). O teste que separa os três é calcular o custo por sessão máximo que o seu ticket e a sua conversão suportam e comparar com o que você paga hoje. Se o custo por sessão está dentro do teto e mesmo assim não fecha, o problema não é mídia, é destino ou fechamento. Se está acima do teto, a mídia entra na conta, mas a correção também pode vir de conversão e ticket, não apenas de otimizar campanha.

O ERRO DE PARTIDA

Por que "meu tráfego não converte" quase nunca é um problema de tráfego

A frase chega sempre no mesmo formato: a verba subiu, o gerenciador mostra clique, o site mostra visita, e a venda não acompanha. A conclusão automática é que o tráfego está ruim. Na maioria dos casos, essa conclusão é falsa, e ela custa caro porque leva a operação a mexer no único lugar onde o problema não está.

Tráfego é um insumo, não um resultado. Ele entrega pessoas dentro de um contexto. O que acontece depois que a pessoa chega depende da página, da oferta, do frete, do prazo e do checkout, e nenhuma dessas coisas está sob controle da campanha. Quando o conjunto do destino não segura a intenção, o anúncio vira o suspeito mais visível simplesmente porque é o que tem dashboard.

Existe um segundo motivo, mais silencioso: tráfego ruim e página ruim produzem exatamente o mesmo sintoma no relatório do gerenciador. Nos dois casos você vê investimento, cliques e poucas compras. A diferença só aparece quando se olha o que acontece entre o clique e o pedido, e é isso que a maioria das operações nunca mede.

O objetivo deste artigo é dar o corte. Não uma opinião sobre criativo, e sim um caminho de leitura que termina em uma frase do tipo "o problema está aqui, e o próximo passo é este".

O MÉTODO

A Regra dos 3 Cortes: onde exatamente a venda se perde

Entre o dinheiro que sai da campanha e o pedido que entra existem três passagens. A Regra dos 3 Cortes força o diagnóstico a percorrer as três na ordem, em vez de pular direto para a conclusão preferida de quem está olhando. Cada corte responde a uma pergunta fechada, com dado, e elimina uma hipótese.

CORTE 01

Entrega: a pessoa certa chegou?

Compara cliques do gerenciador com sessões do analytics e olha o comportamento imediato: rejeição, tempo até o primeiro toque, rolagem. Se metade do clique não vira sessão, o problema é entrega, e nada depois disso importa.

CORTE 02

Destino: a página sustenta a promessa?

Mede o funil dentro do site: visualização de produto, adição ao carrinho, início de checkout. Uma queda forte entre produto e carrinho é oferta ou página. Entre carrinho e checkout costuma ser frete, prazo ou confiança.

CORTE 03

Fechamento: a compra decidida se concretiza?

Olha o final: início de checkout contra pedido pago e taxa de aprovação de pagamento. Aqui a venda já foi ganha e se perde por atrito operacional, o vazamento mais barato de corrigir e o mais ignorado.

A ordem não é decorativa. Corrigir a página de um produto que recebe tráfego desqualificado não melhora nada, porque o público que chega não tinha intenção de compra em primeiro lugar. E otimizar campanha para uma página que perde 8 de cada 10 pessoas no frete é pagar mais caro pelo mesmo vazamento.

O corte só avança quando o anterior está limpo. É o que impede o diagnóstico de virar uma lista de palpites simultâneos.

A CONTA

CPS teto: o número que diz se a sua mídia está cara

"Mídia cara" não é uma sensação, é uma comparação. Cara em relação a quê? Ao custo por sessão que o seu negócio consegue pagar sem ficar no prejuízo. Esse número existe, se calcula, e muda de loja para loja, porque depende do seu ticket e da sua conversão, não do custo por clique do vizinho.

O CPS teto é o custo por sessão máximo que a operação suporta para bater um ROAS alvo:

Ticket Médio×Taxa de Conversão÷ROAS Alvo=CPS Teto

O ROAS alvo é o que a sua margem exige, não o que o mercado comenta. Quanto menor a margem, maior o ROAS necessário e menor o teto de custo por sessão.

Um exemplo com números redondos. Ticket médio de R$ 180, conversão de 1,2% e ROAS alvo de 3: o teto é R$ 180 × 0,012 ÷ 3 = R$ 0,72 por sessão. Se você paga R$ 1,40 por sessão, a mídia está praticamente no dobro do que essa operação suporta, e nenhuma otimização de criativo fecha sozinha uma diferença dessa ordem.

Agora inverta a leitura, que é a parte que quase ninguém faz. Mantendo o mesmo ROAS alvo, se a conversão subir de 1,2% para 2,0%, o teto passa a ser R$ 1,20 por sessão. A mesma mídia que estava "cara" continua exatamente igual, e o problema deixa de existir. Foi a página que mudou o veredito, não a campanha.

É por isso que a pergunta "o tráfego está caro?" não tem resposta isolada. O custo por sessão só é caro em relação ao que a loja converte e ao ticket que ela pratica. Duas lojas no mesmo leilão, pagando o mesmo valor por sessão, podem estar uma lucrando e outra queimando caixa.

O VEREDITO

Mídia cara ou página fraca: a tabela que separa os dois

Com o teto calculado, o diagnóstico deixa de ser subjetivo. A tabela abaixo cruza o sintoma que você observa com a leitura correspondente de cada lado. O ponto verde indica onde a evidência realmente aponta.

O que você observaLeitura de mídiaLeitura de destino
Muito clique no gerenciador, poucas sessões no analyticsÉ aqui: link errado, página lenta ou clique acidentalNão é aqui: a pessoa nem chegou a ver a página
A sessão abre e sai em menos de dez segundosPode ser: público amplo demais ou promessa exageradaPode ser: a página não confirma o que o anúncio prometeu
Custo por sessão dentro do teto e conversão baixaNão é aqui: a mídia está entregando dentro da contaÉ aqui: a página não converte quem já chegou
Boa adição ao carrinho e poucas comprasNão é aqui: a intenção de compra existiuÉ aqui: frete, prazo, formas de pagamento ou confiança
Custo por sessão acima do teto e taxa de clique baixaÉ aqui: criativo, público ou pressão de leilãoAinda não dá para julgar: falta volume de sessão
Converte bem no direto e no orgânico, mal no pagoÉ aqui: a qualificação de quem está sendo trazidoNão é aqui: a página já provou que converte

A linha destacada é a mais comum e a mais mal interpretada. Quando o custo por sessão está dentro do teto e a conversão continua baixa, o gerenciador segue mostrando um ROAS ruim, e a reação natural é trocar criativo, trocar público ou trocar de agência. Nenhuma dessas mexidas resolve, porque a mídia já está fazendo a parte dela dentro da conta.

A última linha é o teste mais barato que existe e quase ninguém roda: compare a conversão do tráfego direto e do orgânico com a do pago, na mesma janela. Se o direto converte 2,5% e o pago converte 0,4%, a página funciona e o que está desalinhado é o público. Se os dois convertem mal, o destino é o réu, e escalar verba só multiplica o problema.

A MEDIÇÃO

Os seis números que fecham o diagnóstico

Não é preciso um projeto de dados para chegar ao veredito. Seis números resolvem a maior parte dos casos, e todos saem do analytics e do gerenciador que a loja já tem. O peso indica quanto cada um costuma pesar na conclusão.

Custo por sessão contra o CPS teto
O corte principal. Define de saída se a conversa é sobre mídia ou sobre destino.
25%
Funil dentro do site, etapa a etapa
Produto visto, carrinho, checkout iniciado, pedido. A queda mais forte aponta o cômodo onde a receita vaza.
20%
Perda entre clique e sessão
Cliques do gerenciador contra sessões da origem no analytics. Perda alta é problema de entrega ou de velocidade.
15%
Conversão por dispositivo
Celular concentra o tráfego e costuma esconder o gargalo. Uma diferença grande contra o desktop é sinal de página, não de público.
15%
Taxa de aprovação de pagamento
Venda já ganha que não vira receita. É o vazamento mais barato de corrigir e o menos olhado.
15%
Conversão por origem de tráfego
Compara pago, direto, orgânico e e-mail na mesma janela. Separa problema de público de problema de página.
10%

Uma ressalva sobre volume. Com poucas sessões por semana, qualquer um desses números oscila por acaso e leva a decisão errada. Antes de concluir que a conversão caiu, verifique se a janela analisada tem volume suficiente para sustentar a leitura, e prefira comparar períodos equivalentes em vez de dias isolados.

OS RISCOS

Erros que fazem você corrigir o lado errado

Se você reconhece três destes, o diagnóstico ainda não está pronto

  • Julgar o tráfego apenas pelo ROAS da plataforma, sem cruzar com a receita real do e-commerce.
  • Trocar criativo toda semana sem nunca ter calculado qual custo por sessão a operação suporta.
  • Aumentar a verba porque o mês está atrasado, sem ter fechado o corte de destino.
  • Comparar a sua conversão com uma média de mercado em vez de comparar com o seu próprio histórico.
  • Olhar só a conversão geral do site, que mistura tráfego de marca, remarketing e prospecção fria.
  • Testar página nova e campanha nova na mesma semana, o que impede saber qual mudança teve efeito.
  • Tratar frete e prazo como assunto de logística, quando eles decidem a conversão do carrinho.
  • Concluir que o público está saturado sem ter verificado a perda entre clique e sessão.

Todos esses erros têm a mesma raiz: a pressa de agir antes de saber. É compreensível, porque a verba está correndo e o mês não espera. Mas cada correção no lugar errado custa dinheiro duas vezes, no que se gastou e no tempo que se perdeu até descobrir que não era ali.

A DECISÃO

Ordem de ataque: o que corrigir primeiro, segundo e terceiro

O seu custo por sessão está acima ou abaixo do CPS teto?
Cenário
ACIMA DO TETO
A mídia entra na conta

O custo de trazer gente é maior do que a operação suporta. Antes de cortar verba, verifique se o teto está baixo porque a conversão ou o ticket estão baixos, o que devolve o problema para o destino.

ABAIXO DO TETO
O gargalo está no destino

A mídia está entregando sessão dentro da conta e a venda não sai. Mexer em campanha aqui é otimizar o que já está certo. O trabalho é de página, oferta e checkout.

Segundo filtro
SE FOR MÍDIA
Público, criativo e destino do clique, nessa ordem

Comece separando prospecção de remarketing e marca de não marca, para saber qual parte está cara de verdade. Depois olhe criativo e, por último, para onde o clique aterrissa.

SE FOR DESTINO
Fechamento, página e oferta, nessa ordem

Ataque primeiro o que está mais perto do dinheiro: aprovação de pagamento, frete e prazo no carrinho. Depois a página de produto e, por último, a estrutura da oferta.

A ordem dentro do destino segue um critério simples: quanto mais perto do pedido, mais barata e mais rápida é a correção. Recuperar aprovação de pagamento mexe em uma demanda que já existe e responde em dias. Reescrever uma página de produto responde em semanas. Reposicionar a oferta responde em meses. Começar pelo fim do funil não é preguiça, é retorno por esforço.

Antes de aumentar a verba, confirme que

  • O CPS teto foi calculado com o seu ticket, a sua conversão e o ROAS que a sua margem exige.
  • A perda entre clique e sessão está mapeada por canal.
  • O funil dentro do site foi lido etapa a etapa, não só pela conversão geral.
  • A conversão do tráfego pago foi comparada com a do direto e do orgânico.
  • Frete e prazo foram conferidos nas principais regiões de venda.
  • A taxa de aprovação de pagamento está medida e acompanhada.
  • A conversão no celular foi olhada separada da do desktop.
  • Existe uma hipótese escrita do que vai mudar e de qual número deve reagir.

Esse é o mesmo raciocínio que sustenta a leitura mais ampla de tráfego para e-commerce: a campanha é a última coisa a ser julgada, porque ela é a que menos explica sozinha o resultado. Quando a operação inteira precisa dessa leitura de forma contínua, e não em um diagnóstico isolado, a conversa passa a ser de growth para e-commerce, com os drivers decompostos e uma ordem de ativação definida.

Se você chegou até aqui sem conseguir dizer com número onde a sua venda se perde, esse é exatamente o assunto de uma reunião de diagnóstico: abrir a operação, calcular os cortes e sair com a ordem de correção na mão, antes de mexer em verba.

FAQ

Perguntas frequentes

Como saber se o problema é o tráfego ou a página do produto?+
Compare a conversão do tráfego pago com a do tráfego direto e do orgânico na mesma janela de tempo. Se o direto e o orgânico convertem bem e o pago converte mal, a página funciona e o desalinhamento está em quem a mídia traz. Se todas as origens convertem mal, o problema é o destino, e escalar verba apenas aumenta a escala do vazamento. Esse teste custa nada e resolve a maior parte das discussões.
Qual taxa de conversão é normal para um e-commerce?+
A referência que importa é o seu próprio histórico, não uma média de mercado. Conversão varia enormemente por categoria, ticket, proporção de tráfego de marca e maturidade da base, então comparar uma loja de alto ticket com uma de compra por impulso leva a conclusões erradas. O uso prático do número é outro: coloque a sua conversão atual na conta do CPS teto e veja qual custo por sessão ela permite pagar.
Meu ROAS caiu depois que aumentei a verba. O tráfego piorou?+
Normalmente não foi o tráfego que piorou, foi o público que se ampliou. Ao subir verba, a entrega alcança pessoas mais distantes da intenção de compra, o custo por sessão sobe e a conversão média cai, mesmo com a campanha estruturada da mesma forma. O jeito de confirmar é separar prospecção de remarketing e olhar cada um contra o próprio teto, em vez de julgar o número consolidado.
Vale a pena pausar as campanhas enquanto arrumo a página?+
Na maioria dos casos não, porque pausar apaga o aprendizado da conta e o histórico de comparação que você vai precisar para saber se a correção funcionou. O caminho mais comum é reduzir a exposição, concentrar a verba no que está dentro do teto e manter volume suficiente para leitura enquanto a página é corrigida. Pausar faz sentido quando o custo por sessão está muito acima do teto e cada dia de operação consome caixa sem retorno.
Quanto tempo leva para saber se a correção funcionou?+
Depende de onde a correção foi feita, e por isso a ordem de ataque importa. Ajustes de fechamento, como aprovação de pagamento, frete e recuperação de carrinho, costumam mostrar sinal em dias, porque atuam sobre demanda que já existe. Mudanças de página e de estrutura de campanha pedem algumas semanas para acumular volume. Reposicionamento de oferta e trabalho de recompra respondem em meses e não devem ser julgados pelo resultado da primeira quinzena.

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